em ruas sem saídas, olhamos para trás e pensamos o porquê de entrarmos ali
as vezes, sinalizadas com placas, avisos, mas deixamos passar
nós somos assim, seguimos até olhar para trás e voltar
temos nossos vícios e redundâncias, estamos cientes
despertam o ócio, estamos doentes
debatemos o divórcio, somos pacientes
somos cães e gatos, gatos e ratos, e ratos mais uma vez
somos cães correndo atrás do próprio rabo
somos exímios trapaceiros de vida própria
predador e presa, no fim, apenas presas
presas um do outro e sabíamos desde o início, haviam placas e avisos
somos grandes temporais, e quando vemos, nos tornamos atemporais a frente de nós mesmos
é por nós, a sós
somos nós dados em madeiras, difícil desamarrar
mas calma, tudo no seu tempo
podemos bem nos dar
somos finais de semanas agitados e segundas maçantes
tal hora encorporamos verões nostálgicos, em outras, noites broxantes
somos amantes
somos o erro em que o outro atua
somos teimosos
e sempre entramos na mesma rua.
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