quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Eu, tu, nós

em ruas sem saídas, olhamos para trás e pensamos o porquê de entrarmos ali
as vezes, sinalizadas com placas, avisos, mas deixamos passar 
nós somos assim, seguimos até olhar para trás e voltar
temos nossos vícios e redundâncias, estamos cientes 
despertam o ócio, estamos doentes
debatemos o divórcio, somos pacientes
somos cães e gatos, gatos e ratos, e ratos mais uma vez
somos cães correndo atrás do próprio rabo
somos exímios trapaceiros de vida própria 
predador e presa, no fim, apenas presas
presas um do outro e sabíamos desde o início, haviam placas e avisos 
somos grandes temporais, e quando vemos, nos tornamos atemporais a frente de nós mesmos 
é por nós, a sós
somos nós dados em madeiras, difícil desamarrar 
mas calma, tudo no seu tempo 
podemos bem nos dar
somos finais de semanas agitados e segundas maçantes 
tal hora encorporamos verões nostálgicos, em outras, noites broxantes 
somos amantes 
somos o erro em que o outro atua
somos teimosos
e sempre entramos na mesma rua.

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