sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Sinto que minhas palavras estão acabando.

Sinto que minhas palavras estão acabando. Como terminar uma garrafa de água, daquelas compradas na praça, se procurar legal paga um real e reclama que encheram ela na bica de casa. Tá acabando a água que mata minha sede. O vinho que elucida minha loucura, a cerveja que emana energia e remove juízo. Tem dias que, como muitos acreditam, como a terra, eu queria planar. Voar pelo universo e esquecer que a terra não é plana, o mundo gira e as coisas voltam, as consequências, escolhas e as palmilhas de sapato secando na varanda, vão se molhar de novo. Sinto que minhas palavras contemplam os danos, a mim, aos demais, a elas, a eles, a todes. Alegorando, alegoriando, alegrando de vez em quando, eu pelo menos, divirto quando me encanto. Enquanto escrevo, escuto bem baixinho do meu coração um canto. É como se eu fosse real, é como se fosse possível acreditar que a terra dá pra servir igual um pano, pra mesa aqui de casa, com a fruteira, os pães, as formiga e tudo mais. Poesia é legal de vez em quando e olha que maravilha, minhas palavras não estão acabando.

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