domingo, 5 de julho de 2020

Máscaras azuis na pele preta

Antes do primeiro gole
Que seja dado a mim o primeiro golpe
Exausto, como a explicação que dava pelos fatos
Ex, estamos todos cansados

Do primeiro ao segundo gole
Pra descer do imaginário, a coragem, pra assumir
Render-se, de uma vez aos fatos
Expulsei todos meus invisíveis mercados

O terceiro gole pra revender
As mentiras que navegavam pelo meu barco
Foda isso, de não lembrar das coisas que falo
Melhor parar com a bebida, escurecer-me alguns dados

As pessoas bebem porque querem esquecer
Disseram-me, eu bebo porque quero ter coragem
De viver, de mentir pra mim e de sentir muito
Pois apático, como ombros tensionados, não entendi

Não me foi apresentado, as emoções e os sentir aptos
Isso não é da sua conta, e dessa conta eu mermo pago
É que depois do quarto gole, minhas palavras cabem num frasco
Depois do quinto copo, minha garganta é um fosso raso

Canalha, pois ora um vil palhaço
Entre tantos cantos deste mundo,
Vim parar justo do teu lado
Descaso

A nossa pele além de diferente é um campo minado
Se falhei em tantos modos, em quantos jeitos
Não fui falhado?
Que isso não tome cordas como cadarços

Espaços e tempos, escassos e tensos
Densos, como água em óleo, um sempre sobe
O outro, fica com o que sobrou de espaço

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