terça-feira, 21 de maio de 2019

Hábito

Segunda, dia do samba mais salgado da cidade 
no fundo do pensamento, ouço serenamente o pandeiro
as pernas bambeiam e revelam ansiedade
batizado em gafieiras, torno isso corriqueiro

Minha preta, em domicílio, questiona por mim 
eu, com a loira no copo, disperso de atenção 
ambiente me faz antagonista do fim
o retorno à casa é guiado pelo coração 

Felicidade prolifera a cada corpo presente
alguns sem a alma, esvaída ao suor diário
estão espairecendo o peso do batente 
e dissipando seus futuros salários 

Ao pedir a conta, cansaço se manifesta
durante a semana sobrarão resquícios
o lar, a patroa, as crianças, são motivos de festa 
entre vícios de maços e litros, falsifico sorrisos.

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