domingo, 16 de abril de 2017

Nada

Ciúmes daquilo que não temos
do que não podemos tocar
devaneios absurdos surgem para entontecer
do que vale o atrevimento do beijo se basta teu olhar?
sem palavras a dizer, apenas gestos para decifrar
e se o silêncio responder
saiba que quero gritar 
esbravejar o singelo amor
manchar todos os muros com teu nome
ter o prazer de ouvir da tua boca 
aquela honrosa frase: Que homem 
morder teus lábios não mais em pensamento
e finalmente me atrever 
mostrar as obras que fiz
as que procurei esconder
perder o medo do não
abandonar o receio do sim
deixar de parecer algo tão doentio
e por fim
nesse teu riacho de águas bizarras 
ou apenas azuis 
irei me banhar e desaguar 
serei jangadeiro 
mas se um dia vir a me afogar 
antes de ir 
boiarei em teus braços e te faço responder:
se ensinares como nadar
o que poderíamos ser?

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