Era uma chuva de desinteresse
numa nuvem carregada de querer
atiçávamos ao erro e foliávamos a mentira
mascarávamos a verdade em prol do prazer
duas facetas maquiadas
semelhante à mulheres frequentes em festas noturnas
tornando-se irreconhecíveis
éramos assim, cheios de pó no rosto
sem vergonha nenhuma no mesmo
a cada palavra trocada, era uma rasteira na fidelidade
leigos sábios no adultério
Errei e vivi
como nunca tinha feito antes
certamente não na mesma proporção de errar e viver
talvez não fizesse novamente
questão para tempo, corpo e solidão
reunirem-se, decidirem e responder
Foi a primeira vez que avistei o pecado
ele atendia por nome de mulher
possuía e persuadia com pernas grossas
promovia anseios e burlava minha fantasia
que me perdoem os religiosos
eu nunca quis o céu.
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