quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Rabiscos

Peço apenas um favor: deixe o poeta dormir
arrancou sem consentimento a paz que a mim pertencia
as penas de pavão se tornaram tijolos
sem descanso por dias, sinta-se culpada
busco formas de a transformar em poesia
as pernas virarem versos
o riso fazer rima com alguma palavra
que nem devo saber o significado 
em mim, a missão de a desenhar em estrofes
a pressão que traz é estranhamente gostosa
na verdade é muito mais 
diria questão de princípios
se um bem desse não trouxer inspiração
desisto do que supostamente faço 
voltando a ela
soberana
domina sem eu mesmo perceber
sai a fazer rabiscos que mal posso controlar
será eterna em meus contos
em tudo que possa inventar
com a maior licença poética
clamo por outro favor:
arranque minha roupa 
não meu sono.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado pelo comentário e pela leitura, somos singelamente gratos!