quarta-feira, 3 de março de 2021

Ponteiros e ampulhetas

Ponteiros acima do peso se arrastam para correr 
reféns de relógios, sejam de pulsos ou de paredes
somos naturalmente impacientes 
prematuros por vezes desde berço 
afobados por respostas 
ansiosos por resultados 

não somos analgésicos para angústias
muito menos lenços secos em aflições próprias
submissos de convicções confusas
de uma cabeça atônita 

dizem sobre paciência
de correr sem saber andar 
ouço de carroças na frente dos bois
de ter calma e mirar o depois
somos nossos pacientes
e não temos a receita

diferente dos ponteiros, batimentos seguem depressa
pensamentos frágeis flutuam pela mente
tropeçando em ampulhetas, aguardamos sentenças
de um menino, tempo, que brinca com gente.

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