ignorar o caos do mundo
ignorar o caos de si
ver nos olhos, quem são mudos?
os surdos se esforçam pra ouvir.
não te cabe mais perseverança,
nem esperança no que é amar.
cabe o ódio, desesperança,
desavença aplaude o palavrear.
a cabeça dói, quando a gente tenta pensar
uma voz dizendo: para, deixa isso pra lá!
não quero fazer como meus pais fizeram
já sofro as consequências dos seus: eu vou pensar.
pena, lamento, sinto pena, dó de mim,
de você, de nós, nos esforçamos tanto pra continuar assim.
relaxando pro sentir e pra antiga empatia,
dando corda pro rancor e a insossa antipatia.
vejo nos olhos dos cegos a vontade de me ouvir.
sinto a prisão formada pelo ego,
mas ei, não posso tirar você de ti
e te botar num novo elo.
eu sinto a sua angústia plena,
e meu poema não vai te ouvir
peço que reflita a sua tenra,
louca, pura, louca, suja,
brilho antigo das estrelas,
perna forte, pra onde vai?
sua indomável força de querer
se ouvir, de se entender.
querer a si e sem querer
perceber quase dormindo
que a solução pra esses sisos,
é a faculdade do se ver.
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