domingo, 9 de outubro de 2016

Segundos

Foi como se estivéssemos a sós
largado em um vácuo enorme
entre eu, ela e nós

Os lábios dançavam num ritmo perfeito
saíam sons açucarados daquela divindade
ignorantes simplificam e batizam de boca
uma voz que soa massageando o ego
como se me encurralassem num beco estreito
sem saída

Meus olhos a secavam
a mente sofria com distúrbios literários
sintomas de um nobre psicopata 
em minha reta, a maior vítima

Estado de transe
não tinha duvidas 

Quando a fala silenciou
houve um choque e, no fundo, ouviu-se serenamente
um leve estalo de dedos
o mundo girou novamente

As vozes ao redor saíram do baú
a música qual imaginava cessou
o olhar, até então irredutível, piscou
ali vi que o mundo no qual acordei
não era tão meu.

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