As águas de março levaram o nosso amor
os destroços estão espalhados pelo resto do ano
os outros meses foram manchados por puro rancor
e os finais de semana sofreram irreversíveis danos
O calendário se tornou páginas ao vento
as horas dominam e brincam com os dias
as paredes estão rabiscadas de lamentos
as noites são inquietas e frias
Ampulhetas dispersadas pelo lar
e o agoniante tic tac faz ninho na mente
relógios cronometram até resolver voltar
e os ponteiros estão cada vez mais displicentes
No entanto, o tempo é generoso
sempre passa num piscar de olhos
esquecerei todo esse alvoroço
enterrarei nossos destroços
Há de chegar fevereiro
o corpo se desmancha em vendaval
os pés se animam por primeiro
e meu coração volta a ser do carnaval.
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