quinta-feira, 5 de novembro de 2020

O problema foi estar embriagado e sequer ter bebido.

Lembro como se fosse agora, atravessei um furacão de sensações, descoberto, sem uma fina linha de tecido pra não ser rasgado de ponta a ponta por tudo que se é possível sentir. Prefiro tecido à armaduras, essas outras pesam e me protegem. Aqui é sobre estar destemido, correr descalço em solo ungido. Escutar bem altivo que a próxima estação é a sua e decidir continuar vagando, sabendo seu rumo mas escolhendo seguir em frente, você sabe pra onde vai, você sabe o que quer e escolhe não saber pra onde está indo. Sem titubear, sem duvidar das forças celestiais que regem seu destino. O amor pra além do que essas palavras podem descrever, eu sinto. Tudo que pode caber, na imensurável dimensão produzida por um só riso. São olhares os portais pra esse abismo, o abissal cósmico de sentir-se amado pelos olhos, boca e ouvido. Amado pela pele, por cada poro, por cada caminho que o toque pode percorrer. Amado pelas brechas entre as falas que sempre pode caber um beijinho. Amado pelo carinho, feito minuciosamente pela ponta dos dedos, afagos cansados de exigirem sentido, movem-se, sem objetivo. Por algo assim, parecia que eu tava torpe, era um gosto bom, um som gostoso, tava tudo sempre tão cheiroso. Parecia que tudo tava sempre tão cheiroso.

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