segunda-feira, 11 de julho de 2016

Do pó eu vim ao pó e vou

Querida noite, o que você faz aqui tão cedo? Ah, é verdade, horário de verão. Como aquele rapaz que chamou a mulher no trabalho mais cedo. Ele veio aqui e disse que ela precisava correr. Ela correu. Ela se foi, nem se despediu. Olha, a nossa relação não está tão bem. Noite, por favor, permaneça, tenho isso e um bocado pra lhe contar.
Como estava dizendo, nossa relação não está tão bem. Dizemos tantas coisas rudes e inflexíveis. Pensamos em cima de cada palavra, mesmo assim as dizemos com destreza e confiança. Acho que não admito minhas falhas e incertezas. Até porque, não sei se é falhar, o triste fato de ela eu não amar. Se o fracasso de um romance é a insalubridade do sentimento de algum. Sim, falhei. Se não, sim, falhei. Permito me dizer isso agora, escrevendo refleti. Se eu não podia amá-la por que pra ela tanto prometi? Que lástima. Além de preguiçoso consegui ser canalha.
Ok, entendi minha mancada. Só agora posso então contornar toda essa presepada. Vou falar pra ela, vou dizer tudo que aprendi aqui nessa tela. O que as teclas me dizem a cada tec tec tec. Penso mais quieto, ocupando minha mente com essas palavras que saem vazias mas me retornam findas e complexas. As entendo como ninguém. Ninguém se entende como ninguém. Eu me entendo por me querer bem.
Perdoa Noite. Te atazanar assim. Ouço barulho de moto, deve ser ela no táxi. Já volto.

[horas se passaram e ele me deixou aqui]
[canalha, famigerado usuário que escolhi]
[droga, estou vendo que vou atrás]
[essa maldita não me dá paz]

Voltei, não a vi chegar. Não me aguento mais de sono, vou dormir pra tentar acordar.

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