quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Desabafo braçal

É noite de sexta-feira 
após mais um dia de trabalho
a garganta seca sem mesmo um pio soltar
a carteira vazia mesmo exausto de batalhar
típico dia para praticar a boemia
e espantar os pesadelos que a semana trouxe
bom boêmio que sou, peço uma, duas, três
logo mendigo para pendurar
porém não posso perder a conduta
existe um lar para não ser esquecido
pois bem, fecho a conta e dou partida
e todo samba da Gamboa me acompanha
chego em casa e sou muito bem recebido
as crianças me abraçam como se eu fosse um presente
talvez fosse
a boa Amélia pergunta por onde andei
respondo a ela com um sorriso frouxo
faz força para entender, fala minha língua
vamos para cama e se justifica a razão de voltar para casa
os lençóis se tecem como letra e melodia
e até esqueço os gritos do patrão
só que não
mais uma vez ressalto que é sexta-feira
quem dera amanhã ser meu dia de folga
meu repouso é o colo domiciliar
ah, essa vida de operário...
com turno de domingo a domingo
mas fazendo questão de tornar todo dia e toda noite
uma saudosa noite de sexta-feira.

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