segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Dilemas noturnos

Nos arcos da Lapa desbotei
logo veio a vaga lembrança de casa
dos aluguéis que tanto atrasei
e das poeiras que se tornaram brasas

O copo sobre a mesa mostra a recaída
escondido no prostíbulo baboseiras chegam aos meus ouvidos
sobrou para elas atentar meus pecados da vida
e solto palavras sem se importar com o sentido 

E o garçom cansado de servir, faz um nobre convite
diz que a rua é um bom lugar para se andar
passos tortos me distanciam da elite
e meu teto já está longe de me acoitar

Dancei valsa sob vigilância da lua 
sozinho pisava em meus próprios pés
a dignidade já se encontrava nua 
apenas aguardava o revés

Em um nocivo breu tudo clareou
e o que corria em meu sangue adormeceu
não sei se o astro rei raiou
ou a noite outra vez faleceu.

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