quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O conto da padaria - Os Sonhos

    

    E na padaria me disseram:

— acabou o pão, agora só tem sonho

    Respondi já desgostoso do dia que havia passado:

— então me vê uns dez, pois há tempos não durmo, há dias não curto a noite de olhos fechados

— senhor, aqui é padaria e não um “consultório psiquiátrico”, deixe de ser mal-humorado


Calei-me, seu Joca estava certo, nem agradeci os sonhos fui pra casa comê-los quieto.

    E na casa me disseram:

— amor, acabou o leite, dá pra ir trazer mais?

   Respondi me afagando com a doçura na fala daquela mulher, da minha mulher:

— claro meu bem, logo vou, só me deixe guardar as coisas do trabalho

    E fui de volta a padaria, dar de cara com o padeiro já desgostoso de me ver voltar.

— tem pão? disse-lhe. Apenas para ver corar sua branca pele, e embaraçar mais ainda seu dia.


— não rapaz, você já não tinha vindo aqui ainda agora? não me ouviu dizer?


— ah sim, desculpe-me, e leite, tem aí? Ou vou ter de ir buscar num consultório psiquiátrico?


— olha, não tiraste o dia pra me atazanar moleque? Pois se veio, caia fora já ou lhe dou uma sova!


— não, que isso seu Joaquim, vim em busca da lata de leite, mais nada, tem aí?


— claro que sim, já venho.


    E fora buscar o tal leite, que na minha opinião me ajudou a repassar o meu estresse pro coitado do seu Joca, bom, sei que é errado o que eu fiz, e que costumo fazer. Dar aos outros os meus problemas, causando alguns descasos para transmiti-los.

— tá aqui, dê me o dinheiro e caia fora

— tome, pode deixar que só lhe incomodo amanhã, até!


    Saí de mansinho, e ao rabo de olho pra ver se ainda tinha um respaldo da fúria que deixei àquele homem, é seu Joca, dessa vez eu venci. Mal sabe seu Joca que é meu pai, e toda essa enfadonha vontade de fazê-lo me dar o olhar mesmo que com fúria por dentre a íris, é pra ter o olhar de meu pai, que descobrira há pouco quem realmente era. 
    Sou grato a tudo pelo que mamãe me fizera, menos ao fato de esconder que meu vizinho mais próximo era meu pai. E como o mesmo não sabia de tal arte manha? Como pudera ter engravidado sua vizinha de frente e não se propor a cuidar de sua cria, ou como diz mamãe, nem saber da existência do fruto do seu bel-prazer. Acredito mais nela, do que na minha sensação horrenda e indescritível de ter e não ter um pai, de saber e não saber ser filho, e da angústia de não poder dizer de quem eu era filho. Pediu mamãe para que guardasse este segredo, mas antes que eu pudesse perguntar o motivo, ela se foi ao encontro de seu grande amor, Deus.

Jaz aqui então, o meu primeiro conto, não sei bem ao certo se assim posso rotulá-lo, mas que fique assim, gosto mais, mais bonito que dizer fanfic. Nada contra. Mas prefiro "conto", e este é "O conto da padaria", espero que gostem, e por favor, avaliem ao gosto e me digam o que vos fora agradável e desagradável, vou ficar muito grato por qualquer comentário, obrigado pela leitura!

4 comentários:

  1. Gostei dessa coisa de "passar os problemas pra outra pessoa"...
    bjo Rafa!
    Amei seu conto.

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    1. Valeu Marina, é o que eu faço hoje em dia heauhueahueah

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  2. Gente, eu amei !continue assim, dá p ganhar uma grana rç -Nadine Saldanha

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Obrigado pelo comentário e pela leitura, somos singelamente gratos!